21/08/2011
EU AMO, EU CUIDO! - Marilice Costi
Sábado. Primeiro cuidar de si. Ao seguir para a academia, percebo o meu bairro, considerado junto com o Bom Fim, bairro de Bem Viver na Reunião de Bairro coordenada pela UNESCO com vistas ao V Congresso da Cidade de Porto Alegre. Orgulhosa de ser, decido assumir a minha parte no meu lugar, o espaço ao qual nos vinculamos afetivamente. Sou desses dois bairros há quase 40 anos.
Ontem, ventou e choveu, mais ventou. Há galhos de árvores pela rua e à minha frente no passeio vejo sacos de lixo cheios e vazios carregados pelo vento a seguirem para os bueiros. Lastimo não ter trazido uma sacola de casa. Junto dois em bueiros e os cheios defronte a condomínios antigos da década de 70. Meu cérebro linca com a palestra do Prefeito de Bogotá, a questão da cidadania. Sou portoalegrense e preciso fazer minha parte. Mesmo sem luvas, vou tirar aquilo da calçada: é quando percebo matéria orgânica misturada com matéria reciclável, o peso! Aqui e ali, amasso com os pés as caixas de leite e coloco nas lixeiras pequenas colocadas no passeio no ano passado. Olho para o céu e percebo uma peça despencando da fiação. Páro, como faria meu pai, e busco alguém perto. Uma moça! Deve ser moradora. Ela me diz que cansou de pedir. Que eles vêm, amarram com arames e logo rompem, tudo se repete. Observo que aquilo deve ser das múltiplas redes que poluem nosso ar, as NETs. Um lixo no ar? Reclame novamente, pedi. Isto poderá cair na nossa cabeça. Já vi tudo? Catadores dentro dos novos containers, moradores de rua futricando em busca de latinhas...e comentários: tem gente dormindo dentro e é por isso que as ruas estão ficando vazias! O caminha leva! Quem vai se dar conta deles? O imaginário urbano?
Respiro fundo e entro na farmácia onde conto minhas peripécias aos atendentes. Ganhei interessados no V Congresso? Atravesso a rua e comento com um vizinho que nunca falei. Ele está desalentado: o caminhão recolhe o lixo seco dos vizinhos e não leva o meu. Daí, os moradores de rua estraçalham os sacos na minha calçada e tenho que limpar! Então, agora misturo tudo e coloco dentro do container. Mas senhor Alexandre, ligue para o 156. Faça sua queixa! Não adianta, arguiu, cansei deles. A credibilidade pública! Repito e nada de convencê-lo. E ele ainda diz: veja, o container está na frente do bueiro, não deveria! Olha ali, empurraram para cá, colocaram lá!
E a seguir as latas de tintas enferrujadas (as mesmas há anos!) na esquina. A falta de fiscalização foi apontada naquela reunião! Fazer cumprir a legislação! Adiantaria punir?
O meu andar vai ficando quixotesco. Um homem mexe em muitos sacos de lixo na pracinha. Lembro do deficiente mental que rasgava sempre os sacos de lixo na praça. Pergunto se foi ele quem colocou aquele saco no meio do canteiro gramado. Não fui! sentiu medo. Ali há uns quatro quilos de ossos, provavelmente retirados da grande lixeira, um chamariz aos cães. Não levo o assunto adiante e coloco no container. Acho bom que, ao mover há sistema hidráulico, que reduz o esforço para abri-lo. E começo a amar essas coisas que limpam meu bairro! E penso que tudo foi coisa de escolha de cabeça muito bem pensada! Quem não produz lixo?
Lembrei a infância em Passo Fundo e meu pai a dizer: falta educação no povo! As escolas! E estimular o sentimento de pertença: amo este lugar, estou aqui!
Tive vontade de conversar com todos os vizinhos, de bater de porta em porta... . Quem me acompanharia? Afinal, ser cidadão não é esperar que os outros façam tudo!
E eu iria longe com o encadeamento de estímulos urbanos à minha memória. Cuidar da cidade é também cuidar de mim!
24/07/2011
DOS DESASTRES E O PAPEL DO ARQUITETO
Diante dos recentes acontecimentos que destruíram e continuam a destruir sonhos, roubaram milhares de vidas de cidadãos de diferentes classes sociais nas cidades serranas do Rio de Janeiro e, diante do silêncio dos arquitetos - especialmente os acadêmicos, em período de férias - aos problemas "mundanos", compartilho uma reflexão incômoda e que tem a ver com a discussão sobre o papel ativo dos não-humanos no coletivo urbano.
A mensagem foi inspirada em matéria recebida de uma amiga, de autoria do professor titular da Faculdade de Saude Publica da USP, Paulo Capel Narvai, relacionada aos recentes e estarrecedores episódios.
Diz Narvai que o "indivíduo sem alternativa, que compra e entra onde não pode", que se relaciona com as políticas públicas de habitação, e aos planejamentos (sic) urbano, rural e regional que são tratados como coisa de particulares... ", assim como a frase: "é meu e ninguém tem nada a ver com isso... ". As possibilidades das pessoas despossuídas, sua luta pela sobrevivência e quando "as necessidades são imediatas e as decisões são movidas por desejos, vontade de resolver o problema de cada um, de cada família..." São questões que transcendem as necessidades e os interesses pessoais ou familiares.
Por sua relevância social, essas questões são (ou deveriam ser) de interesse público. As pessoas não se amontoam em lugares insalubres, de risco, porque querem; elas o fazem porque as políticas e ações públicas de habitação e de ocupação e planejamento territorial, em lugar de atender os interesses das gentes, são feitas para atender os interesses econômicos de determinados e restritos grupos. Os interesses das pessoas são coisas aparentemente sem importância.
O planejamento e a ocupação do solo urbano não atendem aos interesses do coletivo urbano, que reúne atores humanos e não humanos. É desnecessário argumentar que a chuva, a lama e as pedras têm sido, ao lado dos políticos, lideranças, moradores e visitantes locais, protagonistas ativos desta tragédia coletiva no Rio de Janeiro.
O processo de urbanização (ou desurbanização?) privilegia os interesses de setores da sociedade que, em geral, financiam as campanhas dos políticos em troca da aprovação de "leis tolerantes com ocupação de áreas tecnicamente não recomendadas para uso de habitação", e servem para abastecer os cofres desses grupos. Prevalece a lógica do já-que-pode-pra-ele-eu-também-quero-também-posso de especuladores e construtores (alguns são arquitetos) que aplicam parte de seus recursos para mover vontades, quebrar um galho aqui e outro ali e viabilizam um condomínio no pé da serra onde não poderia ser implantado.
São os sócios daquela “Construtorona S.A." que, quando não conseguem aprovar leis que viabilizem seus negócios imobiliários, usam seus empregados para subornar funcionários públicos corruptos para que o negócio se viabilize. Um tipo de "capitalismo do cotidiano" que explora e "vende montanhas e mananciais..." e que decide as políticas de ocupação territorial e de urbanização.
Fiel às suas raízes profissionais, a saúde pública relembra os esforços que redundaram nas políticas e ações urbanizadoras de sanitaristas como Oswaldo Cruz e Emilio Ribas, para erradicar os vetores das doenças tropicais que assolavam o Rio de Janeiro? Foi quando demolidam inúmeras habitações e alargaram ruas e avenidas, consideradas insalubres. Em Santos, foram contruídos canais para drenar a cidade.
Será que algum dia os arquitetos e urbanistas terão direito e reconhecimento de voz nesses assuntos? A julgar pelo silêncio da classe, é pouco provável. Isso indica uma espécie de direito divino superior que, mais dia menos dia, deve cair do céu. Enquanto isso, continuamos, ao lado do mercado imobiliário a densificar e ampliar (ou destruir?!) nossas cidades, e no lado acadêmico a produzir belos e consistentes tratados e argumentos. Em comum, o descaso e o desconhecimento sobre as questões das gentes e do ambiente. Tais procedimentos me fazem lembrar uma frase cunhada em tom de brincadeira quando cursei o mestrado em conforto ambiental: "a ética é, cada vez mais, uma questão de ótica".
Aqueles que questionam tais práticas são vistos como chatos ou românticos de dois matizes, - não necessariamente excludentes ou contraditórios -ou são socialistas que questionam o sistema, ou são ambientalistas que defendem o mato, os animais, os rios e os lagos, ou são ambos.
A responsabilidade pela destruição dos sonhos, das casas, das vidas de milhares de pessoas e animais, e do patrimônio cultural e ambiental das cidades em lugares atingidos não é um problema individual. Sua solução não se resolve com ações setoriais. Não basta responsabilizar apenas os políticos como insistem jornais e emissoras de televisão de circulação nacional. É um problema que, com maior ou menor parcela, atinge a todos.
A solução implica em rever os dogmas de uma economia feita de números e de lucro; em rever os limites do crescimento econômico e do crescimento físico das cidades e da população e as bases e fundamentos éticos de nosso sistema educacional. Implica ainda, em rever nossa cumplicidade com práticas do tipo ilegal, e daí?
Como denunciou Schumacher no final dos anos 60 (O negócio é ser pequeno), "a expansão da economia destrói a beleza das paisagens naturais com edifícios medonhos, polui o ar, envenena os rios e os lagos. Mediante um condicionamento implacável, ela rouba das pessoas o seu senso de beleza, enquanto gradualmente destrói aquilo que há de belo em seu meio ambiente."
O Rio de Janeiro, hoje mero arremedo de uma outrora Cidade Maravilhosa, submetido a um processo enfurecido de enfeamento e de destruição de sua natureza, que são - ou foram - a essência de sua região. A verticalização de sua orla marítima se assemelha a um tapume que esconde as suas belas montanhas.
Enquanto não forem modificadas as relações entre os humanos e o ambiente (aqui entendido como o conjunto de animais, plantas, artefatos e natureza), esses problemas tendem a se agravar. A cada ano, as tempestades e fenômenos ditos naturais, tornam-se mais violentos e frequentes. Dito porque penso se tratar de uma rejeição ao processo de crescimento que resulta de uma relação letal de causa-e-efeito.
Precisamos rever nosso entendimento de um mundo dividido em mente e corpo, interior e exterior, humanos e natureza, bom e mau, material e espiritual, ideias e realidade. Tudo isso se mistura em um coletivo que reúne os diferentes sujeitos (humanos e não-humanos) em uma rede complexa e dinâmica de relações.
Conforme observa a economista verde Hazel Henderson, precisamos reconhecer que as diversas crises, inclusive essa calamidade da região serrana do Rio de Janeiro, "estão todas arraigadas na crise maior de nossa percepção estreita e inadequada da realidade" e que "a economia não é uma ciência; é meramente uma política disfarçada". A autora sugere que a economia ecológica terá de "entender como as atividades econômicas estão imersas nos processos cíclicos da natureza e no sistema de valores de uma determinada cultura."
O problema da região carioca abalada não deve ser entendido como um problema dos outros (dos seus habitantes), ou como um problema do sistema de valores da região serrana. É um problema coletivo de escala global que afeta e ameaça a integridade e a vida em escala planetária, decorrente em grande parte da irresponsabilidade humana. Em uma biosfera global interligada, não existe outro lugar ou outros interesses (Henderson).
Enquanto isso acontece em nossa volta e os alcaides do momento se ocupam de obras faraônicas e midiáticas – como o novo Museu (projeto de Calatrava), o Porto Maravilha, com a enésima reforma do Maracanã e as falácias sobre as obras dos jogos olímpicos de 2016 – nas Escolas de Arquitetura seguimos trabalhando com exercícios e temas de projeto tão importantes e necessários quanto uma casa de um filósofo em uma ilha deserta, tema que, segundo Abelardo de Souza, justificou a reforma do ensino de arquitetura implantada por Lúcio Costa em 1930.
Mudanças? Só se um milagre cair do céu e nas mãos certas.
Paulo Afonso Rheingantz é arquiteto, doutor e professor associado da FAU/UFRJ
A mensagem foi inspirada em matéria recebida de uma amiga, de autoria do professor titular da Faculdade de Saude Publica da USP, Paulo Capel Narvai, relacionada aos recentes e estarrecedores episódios.
Diz Narvai que o "indivíduo sem alternativa, que compra e entra onde não pode", que se relaciona com as políticas públicas de habitação, e aos planejamentos (sic) urbano, rural e regional que são tratados como coisa de particulares... ", assim como a frase: "é meu e ninguém tem nada a ver com isso... ". As possibilidades das pessoas despossuídas, sua luta pela sobrevivência e quando "as necessidades são imediatas e as decisões são movidas por desejos, vontade de resolver o problema de cada um, de cada família..." São questões que transcendem as necessidades e os interesses pessoais ou familiares.
Por sua relevância social, essas questões são (ou deveriam ser) de interesse público. As pessoas não se amontoam em lugares insalubres, de risco, porque querem; elas o fazem porque as políticas e ações públicas de habitação e de ocupação e planejamento territorial, em lugar de atender os interesses das gentes, são feitas para atender os interesses econômicos de determinados e restritos grupos. Os interesses das pessoas são coisas aparentemente sem importância.
O planejamento e a ocupação do solo urbano não atendem aos interesses do coletivo urbano, que reúne atores humanos e não humanos. É desnecessário argumentar que a chuva, a lama e as pedras têm sido, ao lado dos políticos, lideranças, moradores e visitantes locais, protagonistas ativos desta tragédia coletiva no Rio de Janeiro.
O processo de urbanização (ou desurbanização?) privilegia os interesses de setores da sociedade que, em geral, financiam as campanhas dos políticos em troca da aprovação de "leis tolerantes com ocupação de áreas tecnicamente não recomendadas para uso de habitação", e servem para abastecer os cofres desses grupos. Prevalece a lógica do já-que-pode-pra-ele-eu-também-quero-também-posso de especuladores e construtores (alguns são arquitetos) que aplicam parte de seus recursos para mover vontades, quebrar um galho aqui e outro ali e viabilizam um condomínio no pé da serra onde não poderia ser implantado.
São os sócios daquela “Construtorona S.A." que, quando não conseguem aprovar leis que viabilizem seus negócios imobiliários, usam seus empregados para subornar funcionários públicos corruptos para que o negócio se viabilize. Um tipo de "capitalismo do cotidiano" que explora e "vende montanhas e mananciais..." e que decide as políticas de ocupação territorial e de urbanização.
Fiel às suas raízes profissionais, a saúde pública relembra os esforços que redundaram nas políticas e ações urbanizadoras de sanitaristas como Oswaldo Cruz e Emilio Ribas, para erradicar os vetores das doenças tropicais que assolavam o Rio de Janeiro? Foi quando demolidam inúmeras habitações e alargaram ruas e avenidas, consideradas insalubres. Em Santos, foram contruídos canais para drenar a cidade.
Será que algum dia os arquitetos e urbanistas terão direito e reconhecimento de voz nesses assuntos? A julgar pelo silêncio da classe, é pouco provável. Isso indica uma espécie de direito divino superior que, mais dia menos dia, deve cair do céu. Enquanto isso, continuamos, ao lado do mercado imobiliário a densificar e ampliar (ou destruir?!) nossas cidades, e no lado acadêmico a produzir belos e consistentes tratados e argumentos. Em comum, o descaso e o desconhecimento sobre as questões das gentes e do ambiente. Tais procedimentos me fazem lembrar uma frase cunhada em tom de brincadeira quando cursei o mestrado em conforto ambiental: "a ética é, cada vez mais, uma questão de ótica".
Aqueles que questionam tais práticas são vistos como chatos ou românticos de dois matizes, - não necessariamente excludentes ou contraditórios -ou são socialistas que questionam o sistema, ou são ambientalistas que defendem o mato, os animais, os rios e os lagos, ou são ambos.
A responsabilidade pela destruição dos sonhos, das casas, das vidas de milhares de pessoas e animais, e do patrimônio cultural e ambiental das cidades em lugares atingidos não é um problema individual. Sua solução não se resolve com ações setoriais. Não basta responsabilizar apenas os políticos como insistem jornais e emissoras de televisão de circulação nacional. É um problema que, com maior ou menor parcela, atinge a todos.
A solução implica em rever os dogmas de uma economia feita de números e de lucro; em rever os limites do crescimento econômico e do crescimento físico das cidades e da população e as bases e fundamentos éticos de nosso sistema educacional. Implica ainda, em rever nossa cumplicidade com práticas do tipo ilegal, e daí?
Como denunciou Schumacher no final dos anos 60 (O negócio é ser pequeno), "a expansão da economia destrói a beleza das paisagens naturais com edifícios medonhos, polui o ar, envenena os rios e os lagos. Mediante um condicionamento implacável, ela rouba das pessoas o seu senso de beleza, enquanto gradualmente destrói aquilo que há de belo em seu meio ambiente."
O Rio de Janeiro, hoje mero arremedo de uma outrora Cidade Maravilhosa, submetido a um processo enfurecido de enfeamento e de destruição de sua natureza, que são - ou foram - a essência de sua região. A verticalização de sua orla marítima se assemelha a um tapume que esconde as suas belas montanhas.
Enquanto não forem modificadas as relações entre os humanos e o ambiente (aqui entendido como o conjunto de animais, plantas, artefatos e natureza), esses problemas tendem a se agravar. A cada ano, as tempestades e fenômenos ditos naturais, tornam-se mais violentos e frequentes. Dito porque penso se tratar de uma rejeição ao processo de crescimento que resulta de uma relação letal de causa-e-efeito.
Precisamos rever nosso entendimento de um mundo dividido em mente e corpo, interior e exterior, humanos e natureza, bom e mau, material e espiritual, ideias e realidade. Tudo isso se mistura em um coletivo que reúne os diferentes sujeitos (humanos e não-humanos) em uma rede complexa e dinâmica de relações.
Conforme observa a economista verde Hazel Henderson, precisamos reconhecer que as diversas crises, inclusive essa calamidade da região serrana do Rio de Janeiro, "estão todas arraigadas na crise maior de nossa percepção estreita e inadequada da realidade" e que "a economia não é uma ciência; é meramente uma política disfarçada". A autora sugere que a economia ecológica terá de "entender como as atividades econômicas estão imersas nos processos cíclicos da natureza e no sistema de valores de uma determinada cultura."
O problema da região carioca abalada não deve ser entendido como um problema dos outros (dos seus habitantes), ou como um problema do sistema de valores da região serrana. É um problema coletivo de escala global que afeta e ameaça a integridade e a vida em escala planetária, decorrente em grande parte da irresponsabilidade humana. Em uma biosfera global interligada, não existe outro lugar ou outros interesses (Henderson).
Enquanto isso acontece em nossa volta e os alcaides do momento se ocupam de obras faraônicas e midiáticas – como o novo Museu (projeto de Calatrava), o Porto Maravilha, com a enésima reforma do Maracanã e as falácias sobre as obras dos jogos olímpicos de 2016 – nas Escolas de Arquitetura seguimos trabalhando com exercícios e temas de projeto tão importantes e necessários quanto uma casa de um filósofo em uma ilha deserta, tema que, segundo Abelardo de Souza, justificou a reforma do ensino de arquitetura implantada por Lúcio Costa em 1930.
Mudanças? Só se um milagre cair do céu e nas mãos certas.
Paulo Afonso Rheingantz é arquiteto, doutor e professor associado da FAU/UFRJ
11/12/2010
TELHADOS VERDES E OS USUÁRIOS
Quando lecionei na PUCRS, pesquisamos a "pós-ocupação" de ambientes com cobertura vegetal. São projetos muito complexos, exigem detalhes delicadíssimos de manutenção e condições econômicas de mantê-los. As pessoas precisam investir tempo, controle, pessoal, com o risco de patologias no interior e degradação. Um projeto assim precisa de especialista em clima, biólogo, arquiteto e engenheiro... talvez mais pessoas, mas com certeza uma equipe multidisciplinar.
Os materias com vida, em climas úmidos, com ventos e ainda desastres climáticos como vem ocorrendo, não são seguros.
Cuidar com o descartável a curto prazo. E analisar muito o entorno.
Uma casa é para a vida da pessoa, uma escola, muito mais que uma vida ... e assim por diante.
Espero estar contribuindo para uma discussão no blog
http://www.oecocidades.com/2010/12/09/telhados-verdes-eles-vieram-para-ficar/
Os materias com vida, em climas úmidos, com ventos e ainda desastres climáticos como vem ocorrendo, não são seguros.
Cuidar com o descartável a curto prazo. E analisar muito o entorno.
Uma casa é para a vida da pessoa, uma escola, muito mais que uma vida ... e assim por diante.
Espero estar contribuindo para uma discussão no blog
http://www.oecocidades.com/2010/12/09/telhados-verdes-eles-vieram-para-ficar/
16/07/2010
APENAS UMA VOZ se levanta contra o DESCASO com o Patrimônio de Gramado/RS?
Tenho certeza de que, dentro dos procedimentos normais de uma pessoa preocupada com a memória coletiva e os cuidados legais que envolvem um Patrimônio Histórico, artístico e cultural de uma comunidade, fiz o que deveria ter feito, ou seja, uma denúncia para o Ministério Público de meu município. Isto me faculta a lei, e creio que foi apenas este interesse, e nenhum outro, ouvido pelo Sr. Promotor, que resultou na abertura deste Inquérito Civil. Com o encaminhamento do assunto para profissionais nas áreas de Arquitetura Religiosa Histórica e Historiadores ligados ao Ministério Público, creio haver um olhar externo necessário para que esta obra não ocorra e o SÍTIO HISTÓRICO DA IGREJA MATRIZ SÃO PEDRO de Gramado tenha a valorização da fé e do trabalho de uma comunidade inteira que durante estes últimos noventa e tantos anos, tem construído pedra a pedra, a devoção dedicada ao Padroeiro São Pedro. Minha esperança primeira é de que o investidor financeiro deste empreendimento, Sr. MARCELO HEITING resgate este momento, revisando esta proposta que o faria um BENFEITOR de nosso patrimônio cultural.Seu nome tomaria um outro valor junto aos empreendedores que aqui aportam. Em segundo lugar, que a comunidade tivesse oportunidade, não de uma audiência pública, mas a um PLEBISCITO onde pudesse opinar e se responsabilizar pelos destinos deste espaço de interesse público.
Tenho recebido ajuda técnica de historiadores e pessoas ligas a igreja e ao patrimônio histórico do RS, bem como, diuturnamente, de pessoas de nossa comunidade. E quero deixar o convite para que se manifestem na imprensa, nas rádios, ao Ministério Público, comigo, de forma concreta e verdadeira, pois tenho certeza de que o pedido é correto e humano. Que existem muitos outros lugares para se investir em Gramado. Que a Diocese pode receber o que a nossa Igreja São Pedro deve, da mesma forma que o fez até aqui, contando com seus fiéis. Afinal, deve confiar mais neles. E por último, dizer que o Cine Embaixador pode permanecer por muitos anos ainda da forma que está, pois tem o tamanho e a medida de nossa comunidade que ali também, através de acionistas legais, mesmo minoritários, deram de si para que ele existisse. Tudo tem uma medida certa e não se pode soterrar o que nossos antepassados fizeram, pelo simples motivo de que a comercialização é necessária.
Tenho recebido ajuda técnica de historiadores e pessoas ligas a igreja e ao patrimônio histórico do RS, bem como, diuturnamente, de pessoas de nossa comunidade. E quero deixar o convite para que se manifestem na imprensa, nas rádios, ao Ministério Público, comigo, de forma concreta e verdadeira, pois tenho certeza de que o pedido é correto e humano. Que existem muitos outros lugares para se investir em Gramado. Que a Diocese pode receber o que a nossa Igreja São Pedro deve, da mesma forma que o fez até aqui, contando com seus fiéis. Afinal, deve confiar mais neles. E por último, dizer que o Cine Embaixador pode permanecer por muitos anos ainda da forma que está, pois tem o tamanho e a medida de nossa comunidade que ali também, através de acionistas legais, mesmo minoritários, deram de si para que ele existisse. Tudo tem uma medida certa e não se pode soterrar o que nossos antepassados fizeram, pelo simples motivo de que a comercialização é necessária.
Marilia Daros
(enviado para a imprensa e para nosso e-mail em 16/07/2010)
Imagens de Marilia Daros
A Casa Paroquial abaixo foi demolida.
PATRIMÔNIO DE GRAMADO/RS EM RISCO! Participe da enquete!
ANTES DAS OBRAS
Material enviado pelo Ministério Público para a imprensa local
A partir de reclamações da Sra. Marília Daros, conhecida historiadora deste Município, quanto a eventuais prejuízos ao Patrimônio Histórico e Paisagístico do Município, ocasionados pela revitalização do Paço da Igreja Matriz (Paróquia São Pedro), o Ministério Público tomou a iniciativa de ouvir o Pároco local – Padre Luiz Pedro Wagner, o qual compareceu na Promotoria de Justiça no dia 17/06/2010, acompanhado dos membros do Conselho Econômico e Administrativo da Igreja Gerson Aluísio
Bergamo e Rosa Maria Thiele da Cruz, do Engenheiro responsável pelo projeto Ricardo Peccin e do Sr. Marcelo Heitting, que disse ser o investidor neste empreendimento – os quais também tiveram a oportunidade de se manifestar e foram unânimes em afirmar que a nova edificação não irá alterar em nada a paisagem e a edificação da Igreja. No mesmo ato, o Promotor de Justiça, Dr. Antonio Metzger Képes, solicitou lhe fosse encaminhado cópia das audiências públicas realizadas, audiências na Câmara de Vereadores, audiência com o Conselho do Plano Diretor e cópia dos projetos e documentos do imóvel.
Após receber estes documentos, o que aconteceu na última sexta-feira, o Ministério Público ouviu a Sra. Marília Daros, a qual, com fundamentos e afirmando representar o que parte da população municipal pensa, reiterou entender que a Praça Matriz é de domínio público, e expôs a sua preocupação, em especial quanto a delimitação do espaço que será ocupado pelos estabelecimentos que irão se instalar no entorno da Igreja,
inclusive com uso de mesas e cadeiras; a questão paisagística; mudanças na estrutura da Igreja – a qual se incorporou a o Patrimônio Histórico do Município; as reais delimitações do terreno da Mitra, podendo ou não atingir a Praça Major Nicoletti; a necessidade de ouvir a população especificamente quanto ao projeto a ser executado e vincular esta decisão a execução da obra – argumentando que tudo foi decidido de forma muito rápida; a necessidade de se respeitar o recuo da rua, na lateral onde se
encontra uma padaria e um restaurante; e finalmente quanto a mercantilizarão do espaço público.
Tendo em vista que os dois pontos de vista devem ser considerados, que cabe ao Ministério Público a defesa dos interesses sociais, entre estes o patrimônio paisagístico e histórico, e que a questão demanda conhecimentos especializados, o Promotor de Justiça instaurou o Inquérito Civil n.º 00782.00002/2010 e, dentro deste expediente investigativo, solicitou parecer, com urgência de um Historiador e de um Arquiteto da Divisão de Assessoramento Técnico do Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Esclareceu o Dr. Antônio Képes que o Inquérito Civil pode ser arquivado, evoluir para um Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta, ou para uma Ação Civil Pública – tudo dependendo do parecer técnico.
(enviado para a imprensa e para nosso e-mail em 16/07/2010 por Marilia Daros)
Participe da enquete! Ao lado.
04/07/2010
Cais do Porto: Porto Alegre merece muito mais!
Imagem: Adriana Schönhofen Garcia - Miami 2010
Sou de Porto Alegre e moro em Miami há oito anos.Tenho mestrado em arquitetura pela Florida International University e sou professora universitária. Julgando apenas pelas imagens de ZH online, Porto Alegre está perdendo uma oportunidade única na sua história. A proposta de design do Cais do Porto deve ser feita através de concorrência internacional aberta a arquitetos no mundo inteiro, e não por tecnocratas desatualizados. É isso que Miami faz, não perderiam uma oportunidades como essa!Um grande nome da arquitetura internacional torna uma cidade mundialmente conhecida da noite para o dia. Antes mesmo de ser escolhido o projeto, só o processo de submissão de design já tiraria Porto Alegre do mapa. A arquitetura de excelência tem o poder de revitalizar economicamente uma região. Veja o caso de Bilbao e o museu do Guggenheim desenhado por Frank Gehry.
Imagem: Adriana Schönhofen Garcia - Miami 2010
O projeto proposto é fraquíssimo, tímido, conservador e o paisagismo é primário. As torres são cópias maquiadas do prédio do centro administrativo (CAFF - Centro Administrativo Fernando Ferrarri - RS). Simplesmente um desastre em termos de arquitetura de ponta.Uma concorrência de proposta de design pode ser feita em menos de dois meses, e POA teria o mundo inteiro de olhos no Guaíba. Centenas de propostas, as mais criativas estariam disponíveis. Envio abaixo dois links onde maiores informações podem ser obtidas em como organizar um evento desta natureza. Ainda há tempo de se corrigir o erro.
Por gentileza repassar este email à Governadora. Ela precisa receber informação imparcial e saber que o projeto proposto está muito abaixo do nível de arquitetura atualmente proposta no resto do mundo.
* Adriana Schönhofen Garcia
Mestrado em Arquitetura pela Florida International University, Miami, FL
Mestrado em Engenharia pela UFRGS, Professora Universitaria de Arquitetura e Interior Design
agarc026@fiu.edu
Abaixo segue a última concorrência internacional feita em Miami por um grupo independente. Concorrências similares são feitas pelos órgãos públicos.
http://www.flickr.com/photos/dawntownmiami/sets/72157622692654720/
http://dawntown.org/about/
organização responsável por essa concorrência - Dawntown Miami.
26/05/2010
Comprar imóvel? Antes consulte um arquiteto!
Quando se pensa em adquirir um imóvel, há desejos projetados. O lugar (espaço vivenciado e afetivo) vai ser de nova vida e espera-se que com isso muita coisa mude. E muda mesmo? Sim, tive experiência na casa de diversas pessoas com filhos com problemas mentais. Como organizar os territórios necessários a cada um? Este é apenas um exemplo, porque em qualquer caso, é sempre importante consultar um profissional experiente.
O arquiteto compreende de que forma aquele espaço se comporta: se a insolação é a melhor, fazendo com que no verão não seja tão quente e no inverno menos frio; se os elementos que compõem a edificação são de qualidade, se possuem resistência térmica, boa acústica, estanqueidade, boa ventilação e iluminação... Se os pontos de luz são suficientes. Se há rede para o computador e, se é possível, instalar equipamentos na área de serviço e na cozinha. Despesas com vazamentos num futuro próximo? Há ventilação? Privacidade? Como manejar esquadrias e obter conforto térmico, e reduzir o consumo energético? A iluminação vai qualificar o ambiente? Relaxamento ou agitação? Quais cores?
Existem patologias construtivas? São complicadas ou de fácil solução? Prevenir doenças num prédio, tratá-las ou evitá-las são itens importantes.
Como a vida humana não tem preço, uma consulta médica raramente é questionada. O que ninguém pensa é que, se o ambiente não for adequado, seu morador pode adoecer, machucar-se. As pessoas não se adaptam aos ambientes. Os ambientes é que têm que estar de acordo com a sua necessidade. Então começam as despesas que não foram pensadas antes de fechar o negócio.
O edifício pode ser visto como um ser vivo. Ele nasce, vive e morre. Precisa ser cuidado: a manutenção. A durabilidade tem a ver com muitas outras coisas. As paredes isolam? Há ventilação, visão para o exterior? Riscos de contaminação, ruídos, insolação inadequada?
Ao adquirir um imóvel, o que a maioria das pessoas faz uma vez na vida, é fundamental uma consultoria técnica. Experiente e com sensibilidade, o arquiteto pode auxiliar muito. A consultoria é muito barata se compararmos com o valor do investimento e as despesas futuras com reformas.
Qualquer casa deve possibilitar adaptações ao ser humano.
O arquiteto também pode auxiliar na distribuição do mobiliário de acordo com as necessidades individuais do morador. As pessoas têm suas peculiaridades e é fundamental que o profissional as oriente.
Inclusive acerca do entorno do imóvel. Vegetação, vizinhança. Estamos dentro de um espaço urbano.
E um alerta! Corretores mostram as maravilhas do "bem", o arquiteto vai mostrar estas e prevenir problemas: pondera sobre as vantagens e desvantagens daquela edificação. Se o sonho não poderá ser pesadelo!
Solicite sua opinião. Até porque poderá alterar o preço na hora da negociação, para menos!
Adquirir sabendo o que se compra é um direito do consumidor. E o arquiteto pode ser o grande aliado nesse processo.
Arq. Marilice Costi, MS. - 51 96542097
05/05/2010
RECALL para a Arquitetura Ruim?
MONDAY, APRIL 19, 2010
RECALL TO BAD ARCHITECTURE?Se um carro com defeito tem de ser consertado pela fábrica por colocar o passageiro em risco, por que erros de Urbanismo ou Arquitetura não podem ter o mesmo destino? Paredes cegas rente às ruas, elevados que causam enormes danos às comunidades ou mesmo a Carta de Atenas devem ser “recalled”.
Começou como uma brincadeira de primeiro de abril mas torço para virar coisa séria, está na hora dos arquitetos e urbanistas calcularem em seus custos os riscos para a saúde e o bem-estar alheios.
Fernando Lara
http://parededemeia.blogspot.com/
This is the great idea explained here by Jay Walljasper. If a car with a bad accelerator pedal needs to be brought back and fixed for potential risk, why not do the same with urbanism or architectural defects? Blind walls, wrong transportation schemes, even the Athens' Charter itself need to be recalled. It all started as a joke for April’s Fools day but why couldn’t it be serious? It is about time that architecture and urbanism factor in its costs the potential damage to everybody else in the city.
Jay Walljasper
http://citiwire.net/post/1904/
RECALL TO BAD ARCHITECTURE?Se um carro com defeito tem de ser consertado pela fábrica por colocar o passageiro em risco, por que erros de Urbanismo ou Arquitetura não podem ter o mesmo destino? Paredes cegas rente às ruas, elevados que causam enormes danos às comunidades ou mesmo a Carta de Atenas devem ser “recalled”.
Começou como uma brincadeira de primeiro de abril mas torço para virar coisa séria, está na hora dos arquitetos e urbanistas calcularem em seus custos os riscos para a saúde e o bem-estar alheios.
Fernando Lara
http://parededemeia.blogspot.com/
This is the great idea explained here by Jay Walljasper. If a car with a bad accelerator pedal needs to be brought back and fixed for potential risk, why not do the same with urbanism or architectural defects? Blind walls, wrong transportation schemes, even the Athens' Charter itself need to be recalled. It all started as a joke for April’s Fools day but why couldn’t it be serious? It is about time that architecture and urbanism factor in its costs the potential damage to everybody else in the city.
Jay Walljasper
http://citiwire.net/post/1904/
01/05/2010
ARQUITETURA: o impermanente território no construir mundos
As coisas da Arquitetura sendo impermanentes, tem que ser mutáveis com a capacidade de serem perenes. Explico: um casal novo, recém recebidos socialmente numa comunidade vão morar em sua pequena casa, branca, com cerquinha na frente. Se com o passar dos anos, os cabelos brancos vão aparecendo, a casa também deve começar a criar limo nas telhas, rachar as pedras da calçada... Os caules das roseiras estarão mais grossos ... mas ao mesmo tempo, observe a casa como um patrimônio comerciável: tal situação é totalmente depreciativa, pois poria prejuízo a possível transação comercial.
Situações ambíguas como esta são impossíveis de serem previstas. Algumas pessoas gostariam de ter o seu canto parecido com elas mesmas; outras por sua vez, acham que uma residência com oito suítes é mais qualificada potencialmente em termos comerciais. Ou o que dizer de criar um espaço onde não existe cliente? É isso mesmo, o cliente é o menos interessado no seu próprio conforto. Não existe?
Um necrotério tem uma função toda especial com seus clientes. Ali o cliente não é uma condicionante em potencial, mas os que participam do cerimonial sim. Em contrapartida, os peritos que fazem necropsia têm uma ação por sobre o espaço do outro bem maior do que o “defunto”, embora a ação daqueles seja dirigida por este. Estranho não? Quando o homem saiu da caverna estava criada a moradia alternativa que se encerra no cemitério.
Procurar sempre que a técnica construa mundos, nunca objetos inúteis a serem consumidos. Isto mesmo, consumir é transformar-destruindo, assim como a chama de uma vela que se esvai aos poucos. Contruir sem considerar o todo é separar a ação do pensamento e o pensamento da sensibilidade. É como decompor em partes sem considerar que um não existe sem o outro. Assim como não há um ponto no continuum de grandes aglomerações a pequenos agrupamentos ou habitações. Onde desaparece a urbanização e começa o rural, a divisão entre povoações rurais e urbanas é arbitrária.
Quando o pensamento surge isolado, desconectado do social, a violência pode fabricar formas. Mas quando a matéria compromete a idéia, a mensagem brota como uma formosa flor, fresca, perfeita e necessária. Isolar a mente da matéria é viver na tática e na estatégia, no cálculo e na especulação, disfarces todos da violência.
Arq. Osvaldo Pontalti - autorizada publicação, agosto 2009.
Situações ambíguas como esta são impossíveis de serem previstas. Algumas pessoas gostariam de ter o seu canto parecido com elas mesmas; outras por sua vez, acham que uma residência com oito suítes é mais qualificada potencialmente em termos comerciais. Ou o que dizer de criar um espaço onde não existe cliente? É isso mesmo, o cliente é o menos interessado no seu próprio conforto. Não existe?
Um necrotério tem uma função toda especial com seus clientes. Ali o cliente não é uma condicionante em potencial, mas os que participam do cerimonial sim. Em contrapartida, os peritos que fazem necropsia têm uma ação por sobre o espaço do outro bem maior do que o “defunto”, embora a ação daqueles seja dirigida por este. Estranho não? Quando o homem saiu da caverna estava criada a moradia alternativa que se encerra no cemitério.
Procurar sempre que a técnica construa mundos, nunca objetos inúteis a serem consumidos. Isto mesmo, consumir é transformar-destruindo, assim como a chama de uma vela que se esvai aos poucos. Contruir sem considerar o todo é separar a ação do pensamento e o pensamento da sensibilidade. É como decompor em partes sem considerar que um não existe sem o outro. Assim como não há um ponto no continuum de grandes aglomerações a pequenos agrupamentos ou habitações. Onde desaparece a urbanização e começa o rural, a divisão entre povoações rurais e urbanas é arbitrária.
Quando o pensamento surge isolado, desconectado do social, a violência pode fabricar formas. Mas quando a matéria compromete a idéia, a mensagem brota como uma formosa flor, fresca, perfeita e necessária. Isolar a mente da matéria é viver na tática e na estatégia, no cálculo e na especulação, disfarces todos da violência.
Arq. Osvaldo Pontalti - autorizada publicação, agosto 2009.
24/04/2010
Foi-se a querida ENILDA RIBEIRO!
Não esqueço o dia em que fui à sua casa e ela comprou o meu primeiro livro de poesia, 1985. Com alegria, Enilda olhou com carinho e disse: Fico com ele sim. Veja aqui, Demétrio. E abriu a bolsa...
Ela tinha um olhar profundo, mãos doces e delicadas e um gestual só dela. O jeito de se expressar. A voz sempre firme nos Encontros de Arquitetos. A presença no IAB-RS.
Encontrei-a há alguns anos no Parque Farroupilha. Lembro bem. Falamos pouquinho. Ela queria voltar para casa, estava acompanhada, e entrou num táxi. Foi tão rápido... Eu queria um pouco mais de tempo com ela. Tanto carinho no seu olhar!
Arquiteta que venceu o concurso que resultaria na construção do Colégio Júlio de Castilhos, um marco na educação em Porto Alegre, ela lutou pelos direitos humanos e sofreu com a ditadura.
Arquitetos? Muito lhe devemos: a FAU.
Ela estimulava ideias novas e apoiava a gente (digo gente porque ela era de um humanismo inconfundível). Empatia e compaixão. Batalhadora. Um exemplo de mulher cuidadora dos espaços construídos, da arquitetura sustentável, da qualidade ambiental.
Companheira de lutas pelos direitos dos arquitetos, pelo valor da profissão, pelas parcerias, pelo sindicato.
Viva Enilda, agora ao lado do seu querido Demétrio Ribeiro.
Obrigada por ter sido parte de minha vida. Feliz de quem conheceu você!
Marilice Costi é arquiteta, arteterapeuta e editora da revista O CUIDADOR.
www.sanaarte.com.br
Ela tinha um olhar profundo, mãos doces e delicadas e um gestual só dela. O jeito de se expressar. A voz sempre firme nos Encontros de Arquitetos. A presença no IAB-RS.
Encontrei-a há alguns anos no Parque Farroupilha. Lembro bem. Falamos pouquinho. Ela queria voltar para casa, estava acompanhada, e entrou num táxi. Foi tão rápido... Eu queria um pouco mais de tempo com ela. Tanto carinho no seu olhar!
Arquiteta que venceu o concurso que resultaria na construção do Colégio Júlio de Castilhos, um marco na educação em Porto Alegre, ela lutou pelos direitos humanos e sofreu com a ditadura.
Arquitetos? Muito lhe devemos: a FAU.
Ela estimulava ideias novas e apoiava a gente (digo gente porque ela era de um humanismo inconfundível). Empatia e compaixão. Batalhadora. Um exemplo de mulher cuidadora dos espaços construídos, da arquitetura sustentável, da qualidade ambiental.
Companheira de lutas pelos direitos dos arquitetos, pelo valor da profissão, pelas parcerias, pelo sindicato.
Viva Enilda, agora ao lado do seu querido Demétrio Ribeiro.
Obrigada por ter sido parte de minha vida. Feliz de quem conheceu você!
Marilice Costi é arquiteta, arteterapeuta e editora da revista O CUIDADOR.
www.sanaarte.com.br
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