1 de mai. de 2010
ARQUITETURA: o impermanente território no construir mundos
Situações ambíguas como esta são impossíveis de serem previstas. Algumas pessoas gostariam de ter o seu canto parecido com elas mesmas; outras por sua vez, acham que uma residência com oito suítes é mais qualificada potencialmente em termos comerciais. Ou o que dizer de criar um espaço onde não existe cliente? É isso mesmo, o cliente é o menos interessado no seu próprio conforto. Não existe?
Um necrotério tem uma função toda especial com seus clientes. Ali o cliente não é uma condicionante em potencial, mas os que participam do cerimonial sim. Em contrapartida, os peritos que fazem necropsia têm uma ação por sobre o espaço do outro bem maior do que o “defunto”, embora a ação daqueles seja dirigida por este. Estranho não? Quando o homem saiu da caverna estava criada a moradia alternativa que se encerra no cemitério.
Procurar sempre que a técnica construa mundos, nunca objetos inúteis a serem consumidos. Isto mesmo, consumir é transformar-destruindo, assim como a chama de uma vela que se esvai aos poucos. Contruir sem considerar o todo é separar a ação do pensamento e o pensamento da sensibilidade. É como decompor em partes sem considerar que um não existe sem o outro. Assim como não há um ponto no continuum de grandes aglomerações a pequenos agrupamentos ou habitações. Onde desaparece a urbanização e começa o rural, a divisão entre povoações rurais e urbanas é arbitrária.
Quando o pensamento surge isolado, desconectado do social, a violência pode fabricar formas. Mas quando a matéria compromete a idéia, a mensagem brota como uma formosa flor, fresca, perfeita e necessária. Isolar a mente da matéria é viver na tática e na estatégia, no cálculo e na especulação, disfarces todos da violência.
Arq. Osvaldo Pontalti - autorizada publicação, agosto 2009.
24 de abr. de 2010
Foi-se a querida ENILDA RIBEIRO!
Ela tinha um olhar profundo, mãos doces e delicadas e um gestual só dela. O jeito de se expressar. A voz sempre firme nos Encontros de Arquitetos. A presença no IAB-RS.
Encontrei-a há alguns anos no Parque Farroupilha. Lembro bem. Falamos pouquinho. Ela queria voltar para casa, estava acompanhada, e entrou num táxi. Foi tão rápido... Eu queria um pouco mais de tempo com ela. Tanto carinho no seu olhar!
Arquiteta que venceu o concurso que resultaria na construção do Colégio Júlio de Castilhos, um marco na educação em Porto Alegre, ela lutou pelos direitos humanos e sofreu com a ditadura.
Arquitetos? Muito lhe devemos: a FAU.
Ela estimulava ideias novas e apoiava a gente (digo gente porque ela era de um humanismo inconfundível). Empatia e compaixão. Batalhadora. Um exemplo de mulher cuidadora dos espaços construídos, da arquitetura sustentável, da qualidade ambiental.
Companheira de lutas pelos direitos dos arquitetos, pelo valor da profissão, pelas parcerias, pelo sindicato.
Viva Enilda, agora ao lado do seu querido Demétrio Ribeiro.
Obrigada por ter sido parte de minha vida. Feliz de quem conheceu você!
Marilice Costi é arquiteta, arteterapeuta e editora da revista O CUIDADOR.
www.sanaarte.com.br
13 de jan. de 2010
O SÍNDICO - o cuidador de muitos

Uma queda na calçada pode gerar um processo contra o proprietário. Ressaltos, buracos no piso não devem existir. Trancar um salto ou tropeçar não devem ocorrer por falhas em passeios públicos.
Atrás da antiga figura "sisuda" que metia medo nos pequenos arteiros, o novo síndico é aquele que pensa tanto no conforto de um idoso como no de uma criança ou de uma grávida. Deve ser capaz de dialogar para achar pontos comuns e integrar. Escutar e ponderar. Então, precisa estar preparado e, não estando, buscar apoio de outros profissionais que possam lhe dar suporte.
Síndicos - com seu trabalho - passaram a ser cuidadores de pessoas. Cuidam de lugares onde as pessoas transitam, convivem e usufruem. Onde as pessoas podem ganhar saúde ou se machucarem. Quando estão melhorando as condições de acessibilidade, por exemplo. Um apoio, a fita adesiva nos degraus da escada, os corrimãos, a iluminação ou outro elemento que os órgãos públicos exigem, são importantes. O condômino até se irrita porque está mexendo nas suas finanças. Mas atrás de uma exigência pública, está frequentemente um cuidado com o ser humano.
Cuidar do edifício é também cuidar de um patrimônio coletivo. Edifícios têm vida como as pessoas. Se não são cuidados, maiores os custos futuros. Daí a importância também da manutenção.
Uma pintura por exemplo é como a pele de uma pessoa. Sem ela, perdemos a proteção contra vírus e bactérias. Mesma coisa é com as fachadas dos prédios. Um furo, uma fissura, uma tinta descascada, uma pastilha que caiu, todos são sinais de que é preciso investir para proteger o restante.
Ouvir os moradores e ter argumentos é fundamental. Daí a importância do profissional que, além da visão tecno-construtiva e funcional, saiba do comportamento dos condôminos nos espaços, o que significa ter a compreensão do ser humano, suas percepções e suas necessidades individuais dentro de um olhar coletivo. Ninguém está livre de uma cadeira de rodas. Pensar além, planejar reduzindo riscos é ter visão de futuro, é para síndicos, que são também cuidadores.
11 de jan. de 2010
CASAS GERIÁTRICAS - CASAS DE REPOUSO - PENSÕES PROTEGIDAS
Um prédio novo ou um mais antigo? Qual a vantagem? Quem pode avaliar?
São pequenos detalhes que fazem a digerença. A sensibilidade do profissional, a experiência e a criatividade.
Contratar pessoas que não tem competência resulta em maiores despesas. Uma consultoria pode ser vantajosa. Contrate antes de alugar. Sai mais barato do que ter que depois reformar e gastar inclusive com coisas que poderiam ter sido previstas, planejadas. Um piso inadequado é problema posterior. E se alguém cair e se machucar? Responsabilidade de quem?
E a iluminação que favoreça a acessibilidade? Como fazê-la com baixo custo?
Onde devem existir barreiras? Apoios? Rampa?
Quem vai exercer o cuidado deve saber que ali não é só uma pessoa dependente, mas um ser humano com sua singularidade. E deve também pensar nos seus funcionários. Afinal, sem eles, nada é possível.
Quais as necessidades dos moradores? Existe legislação que deve ser cumprida para obter alvará. E com um profissional "cuidadoso", o local poderá ficar lindo e fácil de manter.
Arq. Marilice Costi,
Mestre em Economia e Habitabilidade
Esp. Arteterapia (percepção ambiental)
editora da revista O CUIDADOR
http://www.sanaarte.com.br/
51 9654 2097
28 de nov. de 2009
O SÍNDICO E AS OBRAS EM EDIFICIOS
O palestrante Osvaldo Pontalti falou, com muita propriedade, sobre a importância do registro gráfico das obras que ocorrem em condomínios (as-built), a complexidade do trabalho do síndico e sua responsabilidade civil nas obras dos edifícios, a competência dos profissionais e das empresas em cada tipo de serviço na área de Engenharia e Arquitetura, os riscos nos contratos sem responsável técnico, a ART como garantia legal de um serviço, entre outros assuntos solicitados pela platéia, formada por síndicos, interessados e alunos. E disponibilizou seu e-mail para dicas em qualquer momento.

O evento contou com a valososa participação da Brigada Militar do RS, na palestra do Ten-Cel Alfeu Freitas Moreira, QOEM - Comandante do 9º BPM, sobre segurança em condomínios. Com o Eng. Maturino Rabello Junior, Chefe da Seção de Medição - Divisão de Instalações - DMAE esclarecendo sobre medidores, pontos de consumo e economia.
Foi uma excelente oportunidade para contatos e consultorias. Estavam presentes as empresas: FOGOGAS, NACIONAL GÁS, CILI, GERBEL, IMEEL, ELETRICA PRATES expondo seus serviços e produtos.
Apoio: CREA-RS, SAERGS, IAB-RS, Auxiliadora Predial, DMAE, Bombeiros.
Aguarde a segunda edição do curso em 2010!26 de fev. de 2008
NOTÍCIAS SOBRE O CENTRO DE SAÚDE MODELO!
A monografia que relata a história de três centros de saúde do Rio Grande do Sul: Centro de Saúde 1 Navegantes, Cemtro de Saúde Modelo e o Centro de Saúde de Passo Fundo vai ser doada à Biblioteca da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Oxalá, as entidades que cuidam de nosso patrimônio histórico façam o possível para preservá-lo.
Enquanto isto não ocorre, participe da votação pelo seu tombamento, nesta página ou faça um abaixo-assinado com 25 pessoas por folha A4 e encaminhe para o endereço constante no portal www.sanaarquitetura.arq.br.
Arq. Marilice Costi, MS
22/02/2008
22 de out. de 2007
CENTRO DE SAÚDE MODELO PEDE SOCORRO!



Apesar de ter melhorado devido às cores e à funcionalidade na recepção, à acessibilidade (rampa e elevador para PDDF) no primeiro pavimento; no segundo, há muitas portas com cupim, forro faltante em área próximo à escada principal, com divisória de madeira bruta sem qualidade e acabamento. A área sem forro está sem uso enquanto os pacientes aguardam nos corredores sem ventilação.
MARILICE COSTI, Arq. MS
Centros de Saúde: uma arquitetura sobrevivente no RS
Monografia elaborada noPrograma de Pós-graduação em ArquiteturaUFRGS - 1999
9 de out. de 2007
JOSÉ ALBANO, descrito por Gibran

O professor que caminha à sombra do templo, entre seus discípulos, não tem como dar a eles seus conhecimentos mas sim sua fé e seu amor.
Kahlil Gibran
Perdemos o querido amigo, professor e colega José Albano Volkmer, mais conhecido como Albano, mas que na verdade sempre foi José, um carpinteiro da democracia, da solidariedade, da luta incansável pelo nossopatrimônio arquitetônico e pela valorização da Arquitetura e do Urbanismo. Multiplicador de idéias, um agregador. Foi de rara delicadeza com tudo o que o cercava: pessoas e ambientes.
Conheci-o na antiga SURBAM. Acolhedor, estimulador, facilitador porque como mestre, sempre apontava caminhos. Meu primeiro chefe. Foi uma de minhas experiências de trabalho mais marcantes. Seriedade, compreensão e afetividade eram naturais. Cedeu-me para a SPHAN, onde estava uma das meninas de seus olhos: as raízes do RS, o legado italiano e alemão, que naquela época não era ainda valorizado em seus conjuntos urbanos.
Na Secretaria de Obras que conheci Dulce, incansável cuidadora da Biblioteca, sempre buscando documentos e livros para que fizéssemos o melhor em nosso trabalho público. Amorosa como José, estava ali, a pessoa que mais tarde seria sua companheira. Doce como seu nome, fiquei feliz quando soube que estavam unidos.
Registro um dos encontros mais próximos: quando ele apoiou a Academia Literária Feminina para que se tornasse patrimônio histórico. Sua única hora disponível? a do almoço. Sim, podem pedir sim, foi categórico. Aqui está o registro histórico de muitas escritoras que tiveram que romper o paradigma da eterna dona de casa. A luta daquelas mulheres que, no máximo, podiam exercer o magistério, argumentou. Visitou o prédio na rua Sarmento Leite, reuniu-se com a direção e tentou-se um concurso público com o apoio do IAB-RS.
Albano sempre se fazia presente quando, o objetivo, eram as lutas legítimas dos arquitetos. Mas estaria também ao lado de qualquer batalha que tivesse, em sua base, a valorização do ser humano e do que lhe cabe.
Hábil articulador, esteve na direção do CREA-RS, no CONFEA, nos muitos encontros de Arquitetura e Urbanismo, lutando pelo nosso conselho - o CAU, pela legislação justa, pela ética profissional.
Sempre de braços abertos para o novo e para o passado. Firme e claro assim como seu olhar e o seu aperto de mão: o de um homem bom-senso, com H.
Em 2003, encontrei-o em Passo Fundo, quando participamos da Oficina de Acessibilidade proposta no evento. Andamos de cadeira de rodas com alunos e colegas professores, conscientes da importância dos ambientes na inclusão dos portadores de deficiências, cidadãos.
Na última vez que o vi, percebi suas sobrancelhas muito brancas. Achei-o de um cor que não gosto de perceber nos meus amigos antes de partirem. Ele estava animado ao iniciar outro movimento em sua vida: a Direção da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. E não o vi mais desde lá.
Com enorme tristeza, soube de sua partida. Na hora, o caixão fechado. Muitos momentos que trabalhamos juntos rolavam em minha memória, mas eu não conseguia mais lembrar do seu rosto! Que agonia! Lembrava do seu aperto de mão, afável, do porte, da sua forma de ser cordial movendo sua cabeça e dizendo - vamos, vamos fazer! - mas sua face se esfumaçara.
José Albano Volkmer deixa um legado de postura profissional e humana: respeitabilidade, dedicação, esperança e fé incondicional nas pessoas. Uma lacuna que não há como preencher. Ficamos um pouco mais órfãos. Tão necessitados que estamos de rotas iluminadas!
Muito obrigada, José!
escrito por MARILICE COSTI
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